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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cuidado com os pileli.

Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”


2008/07/27

Andava eu no Liceu e nesse ano surgiu uma nova disciplina e professora,

também novinha e com ar arejado. Estávamos em plena

primavera Marcelista. Não me lembro da disciplina, mas sei

que não tinha programa estipulado pois a professora pedia-nos

sugestões, temas para debatermos. Ela também nos dava Filosofia.

Então um dia , lembrei-me de sugerir á professora que poderíamos

ler e traduzir uns artigos de uma revista estrangeira que eu comprava

de vez em quando. Então lá trouxe a revista para a aula e

traduziu-se. O artigo por mim escolhido, sei que tinha a ver com amor ,

namoro de adolescentes, etc., tema que me interessava o que era

normal, por ser adolescente. Aquilo foi uma ousadia da professora,

e minha também. Como eu admirava a sua coragem em abordar

esse tema na aula! Bom, mas acabou tudo pessimamente.

Ao que vim a saber uns ou um ou uma colega betinho(a),

santinho(a) , foi para casa dar com a língua nos dentes, que

se estava a falar sobre sexo na aula etc... Os papás fizeram

queixa ao reitor e a professora foi corrida , saneada, nunca mais a vi,

mas ficou como referência para mim, para sempre. Quanto aos

betinhos fiquei a odiar este tipo de meninas e meninos que vão

fazer queixinhas para casa, coitadinhos. Agora sou professora,

e neste regime dito democrático, as queixinhas dos betinhos são

oficiais e cada vez com mais peso. Antes do 25 de Abril sentia-se

na pele o que era a falta de liberdade. Hoje em dia todos tem

liberdade, mesmo os que se divertem a fazer a vida negra a

quem pensa de maneira diferente. Dantes esses chamavam-se pides,

hoje não sei como chamar a esse tipo de pessoas , talvez pides legais,

em liberdade, democráticos. E já agora podia arranjar uma sigla

para eles: PILELI (pi de pides, le de legal e li de liberdade).

E excluo sílabas de democracia para não sujar a palavra.

Gostei de todos os meus professores, todos diferentes.

Mesmo que eu ao fim da sala estivesse a pensar na morte da bezerra

ou a encher em silêncio, os meus cadernos com dezenas de desenhos, nunca

justifiquei as minhas más notas por culpa dos professores.

Era eu que não me dedicava o suficiente aos estudos , na minha

adolescência. Uma vez tive uma nega, entre muitas, a físico -química,

disciplina que eu detestava .A professora virou-se para mim

E perguntou-me: não estudaste nada para este teste pois não?

E eu respondi com toda a sinceridade: não estudei nada, professora.



Ai que saudades eu tenho desse tempo.

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