Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”
2008/03/15
O feminismo é um tema que me tem feito sempre meditar muito e sobre o qual tenho muitas dúvidas. Não consigo abraçar a causa a cem por cento e explico.
É certo que a mulher foi arredada ao longo dos séculos( há uma ou outra época aqui e ali mais matriarcal) dos lugares onde também se podia valorizar mais completamente: os lugares do saber, do poder. Também na vida familiar foi mais subjugada do que tratada em pé de igualdade. Do registo histórico foi violentamente arredada.
Mas elas foram sempre mais ou menos metade da humanidade e no geral consentiram, ou porque lhes agrada a ideia de que o homem é superior, ou porque não tinham alternativa do que calar - é preciso autonomia intelectual e económica para fazer escolhas livres .Ou porque não queriam o isolamento afectivo, sexual a que talvez seriam votadas se ousassem ser alguém. Houve mulheres que no séc .XV foram vestidas de homem para a Universidade de Coimbra para a poderem frequentar. Há mulheres que se vestiram de marinheiro para assim poderem embarcar na epopeia dos descobrimentos, e quando havia problemas a bordo eram as primeiras a ser despejadas na Costa Africana. Essas mulheres merecem a minha admiração assim como me merecem admiração os homens que ajudaram a humanidade a lutar contra todo o tipo de descriminações , incluindo esta de considerar a mulher incapaz de se autonomizar e ter voz( na idade média e por aí adiante, a própria lei a considerava inferior). E há homens que vêem e viram no passado , a mulher em pé de igualdade e é desses que eu gosto.
Sempre houve também mulheres com poder e influência que consentiram e contribuíram para as desigualdades , e para o olhar discriminatório em relação ao género feminino. Por isso a palavra "feminismo" me desagrada, porque na minha opinião a questão fundamental não é a de género mas a do poder e do acesso democrático a ele em todas as esferas da vida , do público ao privado.
Pensando na minha própria história de vida, lembro-me ainda mulher jovem de ouvir conselhos , bem intencionados de mulheres da minha própria família ( já desaparecidas), de quem eu gostei e ainda gosto muito que me diziam que eu tinha a mania de dar opiniões e que isso me ia prejudicar porque os homens não gostavam disso. Bingo , acertaram, mas problema deles! Lembro-me também de um dia ter um pretendente , bom partido que me disse que se casava comigo se eu abandonasse a minha militância partidária, na altura era militante do partido comunista. A resposta foi não e ele foi dar uma curva, ainda bem porque eu com um homem deste género nunca seria feliz. Não tenho pena das oportunidades que não tive por ser quem sou. Ridículo seria ter passado pela vida com uma máscara e sempre a enganar-me a mim mesma. Há mulheres que consentem relações na vida familiar absolutamente degradantes e assim perpetuam maneiras erradas do agir de muitos homens. Eu era incapaz de suportar uma relação em que não sou tratada em pé de igualdade e respeito. Não há muitos homens realmente livres por aí ( ... e mulheres) Daí a instituição casamento estar em crise.
Falta uma educação para a sexualidade e afectos em Portugal. Será uma das coisas mais revolucionárias que poderá acontecer em Portugal por isso tarda tanto....
A vida humana mesmo que condicionada é algo que flui , porque tem muita força e assim aos poucos a sociedade se vai mudando. Em comunhão de vida ou bens ,ou não, mulheres e homens continuam amar-se ou para toda a vida ou por um pedaço de vida. E os filhos continuam a nascer. Tal como no meu registo , pintado há já vários anos.
Foi agradável ver muitas mulheres professoras na rua, há dias, a expressarem a sua opinião contra uma legislação que consideram injusta. Há cem anos isso seria impossível. Este é um momento histórico na vida da democracia portuguesa. Mulheres e homens livres , lado a lado vão fazer um mundo melhor onde todos terão oportunidade de contribuir para uma sociedade mais feliz, equilibrada , sustentada , em harmonia com a natureza. Portanto um mundo naturalmente...feliz.
domingo, 6 de setembro de 2009
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