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sábado, 5 de setembro de 2009

A minha avó

Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”


2007/07/06

Nasci em 1954.Nos primeiros anos da minha vida lembro-me de olhar para as pessoas mais velhas com profunda admiração. Pensava eu que elas por terem vivido tanto, acumulavam dentro de si toda a sabedoria do mundo. Essa imagem da velhice foi-me dada pelas minhas avós. As avós naquele tempo não iam para lares, e eram muito rodeadas e amadas pela sua descendência. Esta era a visão que eu tinha. Uma visão doce e bela da velhice. Ainda adolescente, passava horas sem fim com a minha avó materna, Maria del Carmen Ferrer Marinho. Eram as horas da tarde, depois da minha saída do Liceu. Estudar, nem pensar! Ouvi vezes sem conta a história da vida da minha avó, contada na primeira pessoa. A sua vinda de Espanha, o seu primeiro contacto com o meu avó, o seu amor por ele, o seu casamento, enfim, toda a sua vida. Pegava-lhe muitas vezes nas mãos enrugadas, acariciava-lhe as veias salientes e as muitas rugas altas e dizia-lhe: qualquer dia avó passo-te a pele a ferro, para alisar estas rugas e ficares outra vez nova. Impossível dizia ela, não há nada a fazer. Eu fui a primeira neta menina desta avó, daí o especial carinho que ela demonstrava por mim. Ela terá nascido ainda antes de 1900, por isso não foi educada no tempo do fascismo, por isso talvez o seu espírito livre e despreconceituoso. Elegante e simples, feminina e segura. Fascinação e amor profundo ainda guardo e guardarei por esta minha avó, até ao fim dos meus dias.

Os tempos mudaram muito. Os velhotes vão para lares e existe um culto desproporcionado da beleza jovem. Não havia Televisão nos primeiros anos da minha vida!

Não se passam a ferro as peles com rugas, mas fazem-se operações plásticas para as esconder . Para viver na mentira. Essa pessoas que fazem isso não são nem de perto nem de longe os meus ídolos.

Os meus ídolos continuam a ser as pessoas que envelhecem com charme e beleza , como a minha avó, "Tanho".

Eu queria que a minha avó nunca morresse, e arranjei essa forma estranha de lho dizer, sugerindo que passasse as rugas a ferro. Ambas sabíamos que não havia nada a fazer.

A melhor coisa , a única válida, que quem envelhece pode fazer é deixar para as gerações seguintes um bom exemplo de como percorrer os últimos anos da vida com humildade e categoria.

Margarida, perto da beleza da vida

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