Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”
2008/07/16
Andava eu na Escola Superior de Belas Artes do Porto no
ano lectivo de 1973/74.
Antes da revolução do 25 de Abril , ainda vivi ali uns meses
em ditadura. Havia uma Associação de Estudantes com um bar.
Os estudantes afixavam cartazes nesse bar mas as autoridades
levavam-lhos para a secretaria. Era assim a falta de liberdade.
Um dia juntei-me a um grupo de estudantes que decidira invadir
a secretaria para reaver os cartazes. E conseguimos.
Sonhávamos com um país livre onde houvesse liberdade
de expressão e onde todos fossem respeitados apesar
das nossas diferenças. Acreditava eu que isso seria possível.
E então deu-se o 25 de Abril e começamos a expor os cartazes
à nossa vontade. Pela televisão desfilavam partidos e mais
partidos cada um com um discurso diferente. Uns defendiam
uns interesses, outros defendiam outros. Passados estes anos
todos , confesso que estou desiludida com o tipo de
democracia que temos. Voto de 4 em 4 anos , depois de
campanhas em que os partidos do poder normalmente prometem
coisas que pouco depois esquecem. Fazem-se políticas impopulares ,
sem qualquer problema. Certos e determinados partidos ,
nunca chegam ao poder , chegam à assembleia mas também
não em número suficiente para mudar seja o que for.
Em sociedade, no geral há muita intolerância em relação às minorias,
o povo está muito dividido. Vivemos todos em ilhas e em permanente
conflito pelas razões erradas Enfim para quem é bom este regime?
Afixámos cartazes para quê? Para dizer que existimos?
E mesmo sabendo que existimos esta democracia não quer saber
de todos, por isto ou por aquilo é-se, marginalizado. Está certo não
vamos para uma cadeia de quatro paredes, mas mesmo nesta espécie
de liberdade pode viver -se isolado, no meio de quatro paredes: a do
desprezo, a da humilhação, o da solidão e outro qualquer. Estes muros
são muito mais difíceis de deitar abaixo que os muros de cimento.
E são muito tristes, ainda mais que os outros porque apareceram para
destruir o sonho de liberdade e democracia, mesmo no meio dela,
como um cancro que a consome.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
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