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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Tristes muros...

Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”

2008/07/16

Andava eu na Escola Superior de Belas Artes do Porto no

ano lectivo de 1973/74.

Antes da revolução do 25 de Abril , ainda vivi ali uns meses

em ditadura. Havia uma Associação de Estudantes com um bar.

Os estudantes afixavam cartazes nesse bar mas as autoridades

levavam-lhos para a secretaria. Era assim a falta de liberdade.

Um dia juntei-me a um grupo de estudantes que decidira invadir

a secretaria para reaver os cartazes. E conseguimos.

Sonhávamos com um país livre onde houvesse liberdade

de expressão e onde todos fossem respeitados apesar

das nossas diferenças. Acreditava eu que isso seria possível.

E então deu-se o 25 de Abril e começamos a expor os cartazes

à nossa vontade. Pela televisão desfilavam partidos e mais

partidos cada um com um discurso diferente. Uns defendiam

uns interesses, outros defendiam outros. Passados estes anos

todos , confesso que estou desiludida com o tipo de

democracia que temos. Voto de 4 em 4 anos , depois de

campanhas em que os partidos do poder normalmente prometem

coisas que pouco depois esquecem. Fazem-se políticas impopulares ,

sem qualquer problema. Certos e determinados partidos ,

nunca chegam ao poder , chegam à assembleia mas também

não em número suficiente para mudar seja o que for.

Em sociedade, no geral há muita intolerância em relação às minorias,

o povo está muito dividido. Vivemos todos em ilhas e em permanente

conflito pelas razões erradas Enfim para quem é bom este regime?



Afixámos cartazes para quê? Para dizer que existimos?

E mesmo sabendo que existimos esta democracia não quer saber

de todos, por isto ou por aquilo é-se, marginalizado. Está certo não

vamos para uma cadeia de quatro paredes, mas mesmo nesta espécie

de liberdade pode viver -se isolado, no meio de quatro paredes: a do

desprezo, a da humilhação, o da solidão e outro qualquer. Estes muros

são muito mais difíceis de deitar abaixo que os muros de cimento.

E são muito tristes, ainda mais que os outros porque apareceram para

destruir o sonho de liberdade e democracia, mesmo no meio dela,

como um cancro que a consome.

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