Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”
2007/07/23
Tinha eu catorze anos, muitas borbulhas, um nariz que achava impróprio para a minha cara, e um corpo também que considerava ter centímetros a mais nums sítios e a menos noutros...enfim...que infeliz eu era. Agora olhando para trás, rio-me, que tonta era eu em adolescente!
Isto tudo vem a propósito da nossa mudança de casa nessa altura: mudámos da Rua Patrão Lagoa para a Rua Serpa Pinto, na Póvoa de Varzim. Esta Rua ia desembocar à Avenida dos Banhos , que como o nome indica ficava mesmo em frente ao mar. Tenho o meu interior cheio do mar da Póvoa de Varzim. É um mar diferente dos outros, para mim: a casa dos meus avós paternos era mesmo em frente ao mar. O meu pai nasceu mesmo nessa casa, pertinho do mar! Eu adorava o meu pai, era uma jóia de pessoa. Eles eram Poveiros de gema, e eu sempre adorei ouvir todas a histórias dos seus antepassados, que a minha mãe - contadora de histórias relatava. Dizia ela que havia um pirata verdadeiro do lado da avó. Uau, a cruzar os oceanos, lá nos seus negócios bizarros, suponho....é que nem faço a mínima ideia do que é que ele andava a fazer nos oceanos, para além de respirar as ventanias e aguentar os solavancos dos navios.
Desde catraia brinquei , em frente à casa dos meus avós, com os meus irmãos, primos e primas, Sentia aquelas nortadas limpas e frias, e enchi os meus olhos daquela ondulação agreste, inquieta que são as ondas do mar. Aquele mar é azul, verde e nos dia s tristes acinzentado. Nos dias de nevoeiro, na minha adolescência, mal se via, e toda aquela humidade cerrada, deixava o meu cabelo na miséria , não havia penteado por mais esforçado que fosse que resistisse.
Então , aos catorze anos mudei para essa rua que, como já referi ia desembocar ao mar.Calhou-me em sorte, um quarto que dava para a rua, com uma janela e uma varanda! quis o destino, ou melhor , o sentido de organização do espaço da minha mãe, que a cabeceira da minha cama ficasse mesmo na direcção da porta da varanda, e isso veio a marcar-me para sempre. Explico: um dia deitei-me e esqueci-me de descer a persiana da porta da varanda. E que vejo eu, com a cabeça deitada na almofada, já preparada para dormir ? Vejo a lua cheia, mesmo no centro da janela da porta da varanda! A partir daí, nunca mais quis descer a persiana da varanda, e foram horas sem fim, até aos meus vinte e um anos, a olhar para a lua e a meditar .... coisas maravilhosas e assustadoras sobre a beleza do firmamento, a dimensão do Universo e a minha insignificância em relação a isso tudo. Creio que fiquei despretensiosa para sempre e espero que seja assim que me vejam. A lua o céu o mar entram com muita frequência nos meus trabalhos, mas eu sei porquê, tem mesmo que ser.
Este quadro é meu, foi pintado há meia dúzia de anos, está na Cooperativa Árvore no Porto, à espera de comprador!!
Margarida, a reviver a vida na sua terra natal .
sábado, 5 de setembro de 2009
A um arco-íris perdido entre o mar e a vida peço emprestadas as cores que agarram os aromas dos oceanos.
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Os meus antepassados
Publicada por
Margarida
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09:44
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