Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”
2008/07/06
Segundo e último dia de "1001 culturas", que passaram também pela mesa: a vitela grelhada de Lafões estava óptima e o queijo da serra cremoso para barrar o pão, também é muito interessante para a cultura do gosto... do paladar.
Ah, o gosto em cultura tem muito de sociológico claro, e como são as classes dominantes a promover o seu gosto, na selecção que fazem da cultura que enfiam nos museus, nos filmes que passam nos media , etc, ... isso leva a que as outras classes acabem por ficar com o gosto das classes dominantes ...ah, ah, nós , povo somos muito parvos.
Que tal fazer uma grevesita, ou uma dieta de gosto, e recusar por uns tempos as coisas culturais que as classes dominantes nos enfiam pelos olhos dentro. Uma política cultural de subsídios, qualquer programa cultural a nível local ou nacional deveria ter em conta a diversidade, e pergunto eu se tem? Inclino-me para o não. Depois há aquele proteccionismo que nos está a sair caro e que tem a ver com a promoção da colecção Berardo,..alguém anda a pagar tanta promoção ....nós, e pouca cultura portuguesa tem aquela colecção.
No debate sobre ensino artístico e precariedade disseram-se também coisas interessantes, bom não me lembro de tudo, mas enfim resumindo há muita gente a sair do ensino superior artístico , muitos cansam-se de não ter hipóteses aqui e vão para lá fora, com bolsas etc, mas é bom lembrar que essas bolsas não duram a vida inteira, e muitos outros artistas ficam a recibos verdes, uns são falsos porque correspondem a anos e anos do mesmo mas outros são mesmo temporários porque isso também tem que ver um pouco com o que é a arte: uma actividade criativa, independente difícil de encaixar com "profissão"...bom nisto tudo, vai muito mais aquilo que eu penso e menos do que ouvi, ou talvez não, porque houve diferentes pontos de vista. O que eu disse , e não agradou muito a uma jovem que lá estava, é que por vezes o ter uma outra profissão é forma de garantir independência criativa: o Carlos Paredes foi um grande artista e trabalhava num hospital, o Fernando Pessoa trabalhava num escritório. è evidente que isto adequa-se a algumas artes e a outras não, por exemplo é difícil ser actor e ter outra profissão...bom eu também gostaria de viver só da arte mas não deu , embora também nunca tentasse, lembro-me de um dia na belas artes um professor meu dizer se fossemos professores por exemplo, teríamos assim uma forma de garantir a nossa independência artística. Bom, independente artisticamente , lá isso eu sou.
domingo, 6 de setembro de 2009
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