Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”
2008/01/18
Aconteceu um dia, não há muito tempo, talvez no futuro, num país muito distante e difícil de localizar ou a oriente ou a ocidente, não sei bem, aconteceu como ia dizendo, que tudo quanto era marca e etiqueta desapareceu , descolou de todos os objectos. Até mesmo as ideologias deixaram de ter etiqueta ou bandeira ou seja lá o que for. Os bancos deixaram de ter marca também. Os medicamentos passaram a ser todos genéricos. Nos parlamentos perdeu-se a noção do que era partido A ou B, ou C ou D. Tudo o que era etiqueta, símbolo, marca, desapareceu , evaporou. Com esse desaparecimento foi para parte incerta, tudo o que era preconceito sobre tudo e todos. Enfim uma desorientação medonha. O ambiente por todo o lado parecia de paz, mas podre só podia ser, porque todas essa identificações acessórias tinham sido importantes até àquele dia e isto de passar a olhar para os outros e para tudo sem ideias feitas dá muito trabalho! Gostava-se no passado, vamos supor ,de uma marca de roupa ou partido político, agora, a memória de tudo isso desaparecera. e todos esses símbolos, tinham demorado tanto tempo a impor-se, com tanta luta, discussão, tanto investimento e ... energia, tanta teoria e tempo..., tanto dinheiro, afinal, gastos em vão, e depois...pffff ...descola tudo sem mais nem menos. Restava apenas a essência das coisas, o que as faz ser ou semelhantes ou diferentes mas todas equiparadas em importância só , e tudo e todos fazendo apenas parte de um grupo de coisas e pessoas idênticas .Por exemplo alguém que fosse ao supermercado habitualmente comprar arroz carolino da marca tal, agora sem a marca tinha que olhar atentamente para os bagos de arroz e tentar-se lembrar realmente que aspecto é que esse arroz tinha, isso era um grande esforço de memória, mas todos se foram habituando a isso, até começaram a achar piada.
Isto acontecia com todo o tipo de coisas e serviços , embora para certas coisas se tivesse chegado à conclusão que tanto fazia tentar-se fazer um grande esforço de memória ou não, como por exemplo no que diz respeito a réguas de 50 cm, e mesmo que houvesse uma pequena diferença, não vinha daí nenhum prejuízo para ninguém. Confesso que no caso dos vinhos e águas a escolha passou a ser muito difícil, muita gente teve que experimentar muitas destas bebidas até encontrar aquele saborzinho de outrora. Estes e muitos outros produtos passaram a ser mais acompanhados com acrescida informação técnica e cientifica o que era bom porque assim se elevou o nível cultural deste povo . A economia mudou bastante: algumas empresas por exemplo, que fabricavam escovas, começaram de repente a produzir mais, apenas porque os seus produtos eram de qualidade, isso aconteceu com todo o tipo de produtos e roupa, etc., se bem que em muitas situações também houve empresas que começaram a vender menos assim de um momento para o outro. Mas, mais ou menos tudo se impôs apenas porque tinha qualidade e era ao gosto do povo. Muitas pessoas que até aí se tinham maltratado por serem de religiões ou partidos diferentes acabaram por fazer grandes amizades e começaram também a haver mais casamentos, a natalidade subiu em flecha! Em relação aos políticos a mesma coisa, quando se votava, lá apareciam agora, todos eles nas campanhas eleitorais, mas agora sem símbolo e nome especifico de partido apenas informação sobre as suas intenções políticas. O povo como habitualmente estava habituado a votar nas mesmas coisas, sentiu- se neste caso muito perdido. Tinham agora que fazer uma análise detalhada, um esforço enorme para tentar distingui-los e encontrar semelhanças com a prática política que preferiam no passado. Muita gente já nem se lembrava porque votava desta ou daquela forma no passado! Todos continuavam a prometer coisas boas para o país...pfffffffffff... assim era difícil! E seria tudo exequível? E promessas de outras campanhas tinham sido cumpridas? Bem, bem, ...lá se votou pensando que se estava a votar no melhor, sim, porque sem etiquetas tudo parece igual à primeira vista, e não é que novas práticas políticas de desenvolvimento do país foram postas em prática com muito sucesso e aplauso, o povo começou a viver uma nova era de paz e prosperidade.
E assim, por causa desta coisa estranha que é perder etiquetas, marcas, etc. ... este país se foi habituando a uma maneira diferente de viver que lhe trouxe mais paz e harmonia. Mas ainda está por provar, se essas coisas tinham mesmo desaparecido ou se não teria antes acontecido uma espécie de cegueira e falta de memória propositada e selectiva que todo o mundo decidiu ter em relação àquelas coisinhas que se prendem a outras coisas essas sim as verdadeiramente importantes e que a maior parte das vezes só atrapalham, como é o caso de algumas etiquetas mal cosidas que fazem imensa comichão na pele. Ai que nervos!
Margarida, a divertir-se com certas ....ideias
domingo, 6 de setembro de 2009
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