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domingo, 6 de setembro de 2009

É dificil amar insectos.

Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”


2008/01/11

Era um ser humano, depois de adoecer, ficou a parecer-se com um insecto, então, ficou limitado entre quatro paredes, e daí, foi observando, conformado ...triste...com compaixão as limitadas atitudes de todos os seus familiares próximos. Nem o médico chamaram ( e o hospital era do outro lado da rua). No "Artista da fome", também há esta cena de meter, o estranho, extravagante artista, que faz dieta até aos limites, dentro de uma jaula. Limitar, limitar é preciso, tudo o que é diferente, anormal.

Kafka fala-nos da incapacidade para amar-mos o que é diferente.

O insecto, metáfora. Tanta perna no insecto, metáfora? O pai do insecto magoou-o sempre no dorso, ele fica sempre a sangrar ( metáfora...?), o pai raramente se vai deitar com a mãe, dorme na sala ....

A irmã, que parecia a mais sensível, vai-o abandonando... Depois aqueles hóspedes, todos sem imaginação nem compaixão , são a gota de água que faz desanimar por completo Gregor, o metamorfoseado, o agora monstro, a vergonha, o anormal, o repugnante. Vai perdendo o apetite...e ..lentamente com o aproximar da morte livra-se de tanta dor.

Gregor, antes de ficar com a doença "insecto", era um caixeiro viajante, filho, irmão exemplar. Andava extenuado, mas feliz, de tanto fazer para sustentar a família inteira.

Não houve Deus que o salvasse, o inferno era aquilo, a realidade , labiríntica, sem saída, sem soluções.

Kafka, realmente também morreu novo e viveu vários anos doente com tuberculose. Mas a " Metamorfose" foi escrita antes de adoecer, e publicada em 1912

Engraçada a referência ao cinema. Kafka refere a páginas tantas, que um determinado movimento é feito em câmara lenta. Repare-se que é no cinema que com mais ilusionismo se pode alterar a aparência do real! Também no cinema de animação, é divertidíssimo fazer transformações. O cinema de animação de leste, era ( antes da queda do "muro", agora não sei, muito habitado por seres estranhos em transformação. Nesta época, na Alemanha, também há um forte movimento expressionista nas artes plásticas, no cinema ( adorei ver Dr. Caligari...) Também na ciência e na filosofia, se andava a vasculhar na parte escondida da realidade ( Freud...).

Quando um povo se exprime artisticamente, com muita liberdade e imaginação, dá todos os sinais de, bem, mal estar ou, assim assim...

Sou fã do expressionismo Alemão, que é ao fim e ao cabo, o produto de uma grande habilidade de olhar para dentro da alma humana e pôr a descoberto os fantasmas e medos mais escondidos. Só o pode fazer quem é muito sensível e corajoso. Ah, já me ia esquecendo...também é muito importante ter havido quem valorizasse estes "artistas" todos.

Margarida a ler Kafka ( mas ainda tenho que reler a "Josefina"...no meio dos ratos)

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