Fios de sol nítidos, vindos da direcção de um mar Atlântico muito chegado, passavam por janelas baixas gradeadas com rendilhados de ferro, seguros. Por entre os raios de sol, passeavam notas de música, sons instrumentais absolutamente e rigorosamente alinhados com coros de assobios animados, vindos de uma telefonia sem fios. Naquela música a palavra não entrava, nem era preciso: deste modo sem código legível se falava de uma felicidade indescritível. Era um grande sucesso de então.
Aquela sala era assim, local onde tudo de fundamental acontecia, o sol muito próximo, desfeito em raios intangíveis, a música da felicidade, e uma tia poveira, solteira, nascida no Brasil mas regressada muito nova para viver sempre perto, muito perto das ondas do mar Atlântico. Os primos por perto. Estávamos felizes porque sim, com coisas simples, o amor, o afecto a música, a limpeza da casa num sábado de tarde, o sol e ...tempo para simplesmente viver na infância feliz, muito feliz.
Estes momentos, esta tarde na casa da minha tia, ficou e ficará guardada até ao fim dos meus dias, como exemplo da perfeição: é possível viver e estar perto de pessoas que nos amam e que nunca nos desiludem até ao fim da vida.
Na idade adulta conheci/conheço exactamente o contrário: muitos seres maus cujo único prazer é mostrar a todo o momento o ódio que nos tem. È deprimente que assim seja, que tenha crescido para ficar a saber que no mundo há mais maldade que amor. Estou extremamente selectiva nos meus relacionamentos, e na vida dá-me muito prazer intelectual / pessoal distinguir o certo do errado, simplesmente porque sei bem o que está certo , educaram-me para isso e eu aprendi.
Houve aquela tarde de sábado, em que nada aconteceu a não ser a felicidade absoluta numa casa perto da praia com raios de sol nítidos, uma música fantástica sem palavras e muita ternura vinda de pessoas que
souberam amar.
Continua a música e o sol, e algumas pessoas que vale a pena amar .O resto são memórias que só eu vejo, preciosamente guardadas na caixa forte da minha alma. Ninguém jamais me roubará esta riqueza.
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
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