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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Amém.....Amem mais. Incluam mais. Partilhem mais.

Este blogue fala de tudo por isso tem de falar da visita de Bento XVI a Portugal. Não posso ficar indiferente a questões como a estética das cerimónias religiosas, os milhares de pessoas que estiveram no Terreiro do Paço, Fátima, etc. Em miúda , até mais ou menos os 12 anos ia à missa ao domingo, por imposição. Chegava tarde, e ficava em pé, ao fundo, demasiado ensanduichada entre homens e mulheres, sem me poder sentar, e a ouvir em silêncio a palavra do Senhor, sempre ou quase sempre a mesma. A repetição foi cansando( ficou tudo gravado na minha cabeça) e um dia libertei-me do ensanduichamento dominical, ficando a descansar o corpo na preguiçosa cama dominical, que bem me soube. Estas muitas dezenas de anos em que estive longe da missa dominical, descansaram-me a cabeça de tanta repetição ( sou uma moça que se cansa de rotinas, é essa mesmo a minha natureza), e agora ouço tudo até os cânticos de outra forma, um olhar de fora, mais limpo. Esta imagem das cerimónias religiosas em que se junta a tradição ( indumentárias dos sacerdotes , repetição da forma e ritmos da oratória ) com as pessoas que assistem significam muita coisa: necessidade de espiritualidade, de partilha, de afirmação de poder, tudo isto é comum a todos os seres humanos, que ou exprimem estas necessidades através do culto religioso ou político, etc. todas estas legítimas. Os cânticos religiosos são lindíssimos, são cultura pertença de todos, assim como outras formas de cultura o são também. Muita coisa me levou ao afastamento da religião: o papel subalterno da mulher, crucificada como a grande pecadora , mesmo quando está envolvida da mesma forma que o homem nos pecados carnais. Afastada do papel de sacerdotisa, injustamente.
Para com o homem há sempre muita benevolência, e a ele a Igreja atribui todo o poder, afastando a mulher, o que lhe dá uma imagem de inferioridade. Outra coisa que me afasta da igreja, é o não assumir a totalidade da dimensão humana, isto é a necessidade do amor físico na pessoa dos sacerdotes e religiosas .
Bom, resta falar de Deus. Os minhas questões nesta matéria são estas: se digo que não existe, é porque tenho um conceito sobre ele para não o encaixar na existência. Então não digo isso. Digo o quê: que a vida é um dom extraordinário, a inteligência humana tanto cria o bem como o mal, e que somos extraordinariamente frágeis, a nossa vida limitadíssima no tempo, face à eternidade que aí vem onde nada seremos. O que nos resta, fazer obra que melhore o mundo, a sociedade humana. Cada um ao seu jeito deveria ser muito mais inclusivo e justo, mas disso há pouco nos dias de hoje.

Tenho que confessar, que nos momentos de grande solidão e desânimo sinto necessidade de imaginar uma partícula por mais pequenina que seja, no canto do Universo, que não me ignore e que se lembre eternamente de mim, esta sofredora que tantas humilhações tem sofrido.
Um dia fui a Fátima, um dia sem ninguém lá, e o Senhor me perdoe, fiquei chocada com a imensidão de cimento, não senti nada de especial, não acredito nas aparições, acredito sim é que os milhares de pessoas que vão lá, precisam de acreditar, e isso lhes faz bem.  A mim faz-me bem a arte, que é o meu sagrado e me leva para o céu nos momentos de criação, momentos de paz e harmonia , beleza. Para Bento XVI a arte é importante, temos isso em comum, por isso eu o abenço-o nesse aspecto com o pedaço de divino que tenho dentro de mim, pois sou filha do universo também, e do amor que me criou com uns raspanetes à mistura.
Deus  existe na cabeça de milhões de pessoas, como sua própria criação, até ver.

Amém .


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