De ontem, da fonte de ideias donde jorrou a caravela portuguesa, ficou-me ela mesma agarrada às entranhas. Tão portuguesa, tantas marés do passado atravessou, tantos Cabos difíceis dobrou, tantas viajantes clandestinas escondeu, enfim tantas vitórias e dor abrigou que é difícil imaginar que morreu. Imagino-a com asas voando sobre nós ou com nós, mas sempre presente. Agora e mais além despejando-nos em qualquer costa inóspita, por desconfiança de escorbuto. Recolhendo-nos mais além já rotos e velhos. Ou nem isso. Homenageando-nos pós morte. Cansada, carunchosa e velha, à espera de reconstrução nos sonhos dos marinheiros e marinheiras despejados para o porão como peso de mercadoria para lugar nenhum. Eles sonham com outros destinos pois sonhar é a viagem melhor que a viagem em si. E isso, só isso dá sentido à caravela portuguesa. Do mundo.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010
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