Copiado do meu ex blog “arco-íris-perdido”
Monday, October 16, 2006
Gosto muito de poesia.
Moro numa rua , melhor praceta, com o nome de uma grande poetiza. Ela nasceu em 1923. O meu pai nasceu em 1922. Ela morreu em 1993. A minha filha nasceu em 1992. Por vezes há coincidências engraçadas, difíceis de esquecer.
Essa grande poetiza chama-se Natália Correia, e tem o seu nome nesta Praceta onde eu moro.
Aqui nesta terra onde está a minha praceta com nome de poetiza, há muitos prédios altos e muito largos , diga-se de passagem. Mas isto é na parte alta do monte e a meio da encosta. A zona do sopé foi desenhada pelo arquitecto Ribeiro Teles , é uma zona de prédios baixos e com muito arvoredo. Lá as pessoas são diferentes o ambiente é mais agradável. Mas pouquíssimas ruas tem nomes de mulheres . Elas existem mas a sua vida não dá para a “fama”, mais facilmente dá para a má fama. Bom sobre estas questões não vou falar mais hoje.
E os prédios altos continuam sempre em construção, por estas bandas. Não sei como há tanta gente para pôr lá dentro..
Amanhã vou fazer greve porque não concordo com certas medidas da ministra da educação, nomeadamente a avaliação dos professores relacionada com a subida de escalão, embora considere que há professores que se entregam mais a esta causa do ensino que outros.
Também há as aparências que iludem. Quase sempre os alunos até gostam mais dos professores relaxados e que não chateiam. Este é um mundo de contradições.
Concordo com outras medidas da ministra, nomeadamente os alunos não ficarem ao Deus dará quando falta um professor, aqui fala a mãe.
Mas enquanto professora não concordo com aulas de substituição a sobrecarregarem a carga lectiva: noutro dia fui dar substituição a uma turma de meninos com a “crista ” um pouco levantada e barulhentos de mais: quando de lá saí já ia cansada para as minhas aulas.
Também concordo que o professor quando falta deva deixar trabalho organizado: o plano da aula, fichas didácticas, etc., mas bom isto é uma contradição com o que disse antes. Às vezes nem eu me entendo. Por UM LADO QUERO QUE OS MEUS ALUNOS TENHAM AULA QUANDO EU FALTO POR OUTRA NÃO CONSIDERO QUE UM PROFESSOR DEVA TER ESSA TAREFA A MAIS PARA ALÉM DA SUAS AULAS . Isto apenas por acaso ficou com letra maiúscula.
O que podia ser fomentado é os professores poderem combinar entre si a sua substituição mútua em caso de falta. Assim também não deixariam de ganhar, nesse dia.
Voltando ao assunto da avaliação e pensando no caso de os encarregados de educação avaliarem os professores, vou contar uma situação verídica:
Um dia pedi a uns alunos numa turma para me trazerem determinado material.
Um aluno disse-me que ia ser difícil pois era caro. Um outro disse-me que trazia a quantidade que eu quisesse pois o pai arranjava de graça, trazia do emprego. Disse-me isto muito feliz.
Eu respondi-lhe que não havia nada de graça , que alguém tinha pago o que o pai trazia do emprego, provavelmente o patrão do pai. Claro que não insinuei nada sobre o pai e rapidamente mudei de assunto.
A situação era delicada, mas achei que os outros alunos não deviam ouvir estas coisas sem um comentário.
Agora imagino o que o aluno comentou lá em casa, com os pais e como os pais ficaram a simpatizar comigo.
Será que se eu fosse avaliada pelo pai deste aluno, não iria ser penalizada por este incidente?
Como esta podem haver milhentas outra coisinhas que podem tornar a avaliação dos professores uma coisa estranha - a qualidade dos professores é mais visível quando os alunos e a escola também são de qualidade.
Esta é como um “barco” : deve saber para onde quer navegar, e depois a tripulação só tem que trabalhar em conjunto , cada um dando o melhor de si. O problema é que há barcos muito velhos, marinheiros muito cansados e passageiros que querem outro tipo de transporte…para o seu destino.
Assim é difícil chegar a bom porto.
Será que antes de mais não seria bom saber para onde é que o país quer caminhar, navegar ?
Margarida um dia antes da greve
domingo, 30 de agosto de 2009
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